Intercâmbio Jovem na Hungria

Intercâmbio Hungria

Relato de Ana Raquel Pereira sobre TRANSIÇÃO EM ACÇÃO II *    Intercâmbio Jovem que aconteceu na Hungria em Agosto 2016:

“Começa a aventura muito antes de aterrar na Hungria entre emails apressados e planos do que levar, como partir e como chegar. Cada um a seu tempo (‘biorritmos’ – diria um de nós!) encontramo-nos todos num mesmo ponto do terminal e lá vamos nós pelos céus. Aterramos já bem de noite a Budapeste, só no dia seguinte partiremos de comboio a Kunzállás. Saímos da metrópole rumo à zona rural. Chegámos ao campo! Dois mais carregados com mochilas apanham uma boleia de carro e os restantes três pegam nas bicicletas e deslizam pelo pôr-do-sol com um mapa mental rumo a Kunzállás, nosso destino final. Chegamos ofegantes ao campo/quinta onde passaremos todo este encontro. Montamos rapidamente as tendas aproveitando os últimos raios de sol para podermos ir jantar e relaxar. 

O acordar é sinónimo de sino. Um sino gigante e insistente que mesmo assim não consegue chegar e tocar a todos – Lá está! São os biorritmos a funcionar! Nos primeiros dias conhecemo-nos melhor, partilhamos a nossa experiência, habilidades, background e sonhos para o futuro nas nossas comunidades locais e também a nível global. Mapeamos o espaço em que vamos trabalhar durante estes 13 dias, as suas infraestruturas, fauna e flora, e as habilidades e conhecimentos das pessoas que fazem parte deste encontro e com as quais vamos colaborar na criação da nossa bonita comunidade. Observamos quais as prioridades a realizar para que possamos sentir-nos o mais confortáveis e em casa possível. Organizamo-nos e criamos um sistema de comunicação assim como um sistema de tarefas. Percebemos qual o plano para estas semanas e quais as oficinas em que poderemos participar e criar algo novo, sustentável e consciente para o nosso espaço e para o nosso planeta. Os duches e a construção de uma fogueira são duas das prioridades e em poucos dias ficam finalizadas. Todos os dias existem uma equipa da cozinha, uma equipa das casas-de-banho, uma equipa da limpeza e uma equipa da água. Para além disso cada dia é dia de oficina e podemos escolher em qual trabalhar e quais as tarefas de que queremos ser responsáveis. Tudo flui livre e funcionalmente e vamos passinho a passinho construindo a nossa pequena comunidade.

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As oficinas são tantas, tão diversas e tão fantásticas que o mais difícil de todo este encontro é mesmo organizarmos o nosso calendário para conseguirmos participar em tudo. Temos cerâmica, reciclagem de metal e peças de bicicleta para construção de uma bomba de água, construção com lama, construção de um ‘rocket stove’ com lama, carpintaria, cozinha comunitária, quinta orgânica, pintura de uma carrinha, reconstrução e reabilitação de paredes com lama e decoração reciclando azulejos, entre outros. Cada um de nós pode também partilhar e fazer workshops de qualquer tema. Todas as ideias para melhor este espaço em que vivemos e todos os problemas que possam surgir são escritos num quadro e todos os que querem fazer parte da construção ou solução só precisam de lá escrever o seu nome. A partir daí é unir vontades e criar! Tudo é válido e tudo é possível, esta é a nossa comunidade.

Sendo este projecto muito experimental e precisando a quinta de várias renovações, transformações, criações e ideias, tudo o que nós fazemos e construímos juntos desde o dia 1 é um elemento essencial neste espaço. A cada acção tornamos este espaço mais nosso, mais casa, a nossa comunidade, e por isso sentimos um carinho cada vez mais especial por tudo o que fazemos e por todos os que fazem parte destes momentos. Pensando sempre nas necessidades e possibilidades desta quinta vamos nós também propondo o que fazer e como. Cada um de nós é uma abelha essencial na construção e bom funcionamento desta nossa colmeia. O facto de este projecto ter sido tão experimental foi na verdade uma das características de que mais gostei neste campo. Ao chegarmos sentimos que tudo estava ainda por fazer e muito cru, o que nos proporcionou a chance de podermos fazer parte de tudo o que precisava de ser criado ou melhorado. Construímos juntos este espaço e este tempo, construímos juntos o nosso pequeno mundo sustentável, ecológico e consciente, partilhámos momentos, sonhos e experiências, debatemos problemas urgentes e actuais e juntámo-nos experimentando soluções a nível local que poderiam ser adaptadas a uma escala maior, percebemos o quão difícil e demorada pode ser uma discussão que visa um consensos final e questionámo-nos em como seria adaptar estas pequenas dinâmicas e estratégicas à escala global. Questionámo-nos sobre como seria o mundo em que gostávamos de viver e transformámos o nosso pequeno espaço e tempo nesse sonho.

Muito ainda haveria por fazer por ali, mas agora é tempo de levarmos estes conhecimentos, estas experiências, estes momentos e partilhas para a nossa comunidade, a que deixámos do outro lado do céu há 15 dias atrás. É tempo de transformar lá também, de experimentar, juntar e criar este mundo bonito e consciente em que gostaríamos de viver. É tempo de pôr a transição em acção!”

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* O intercâmbio jovem TRANSIÇÃO EM ACÇÃO II aconteceu de 15 a 28 de Agosto 2016 em Kunszállás, 100 kms a sul de Budapeste, Hungria, organizado pela Transição Hungria em parceria com o GAIA Alentejo (Portugal) e entidades parceiras da Bósnia e Herzegovina, Itália, Latvia e Roménia. Financiamento Erasmus+ Juventude em Acção.

 

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